

EXPEDIÇÃO RIO–LIMA | 2022

18.000 km • 51 dias • 3 países
Uma viagem, dois caminhos históricos.

Na ida, refizemos a travessia Rio–Lima de Roger Courteville, realizada um século antes. Na volta, seguimos os rastros de Percy Fawcett, cruzando Andes, florestas e regiões ligadas às suas expedições.
Uma jornada que começou seguindo uma estrada e terminou seguindo um mistério.
Em 2022, o Decifrando Fawcett partiu para uma expedição de 18 mil quilômetros por Brasil, Peru e Bolívia. Mas Rio–Lima tinha uma característica especial: a ida e a volta contariam duas histórias diferentes.
Na ida, a equipe refez o caminho de Roger Courteville, responsável pela histórica travessia Rio–Lima de automóvel realizada cerca de um século antes. Era uma forma de confrontar uma antiga aventura rodoviária com a América do Sul que existe hoje.
Na volta, o objetivo mudou. A equipe passou a seguir os rastros de Percy Harrison Fawcett, percorrendo regiões pesquisadas e exploradas pelo britânico ao longo de suas diferentes expedições pelo continente.
Mollendo, às margens do Pacífico, Tiwanaku, a travessia dos Andes, Bolívia, Acre, Mato Grosso e Bahia passaram a formar uma enorme linha sobre o mapa. Depois de dezenas de expedições dedicadas a Fawcett ao longo dos anos, a equipe se propunha a conectar, em uma única jornada, pontos ligados às diferentes expedições do explorador.
Quando a estrada fechou

Só havia um problema: 2022 tinha outros planos.
Durante a viagem, protestos e bloqueios de estradas se espalharam pelo Brasil. A partir de Mato Grosso, Rondônia e Acre, a equipe encontrou barreiras na entrada de sucessivas cidades. Com caminhões impedidos de circular, o combustível começou a desaparecer dos postos.
Alguns pontos previstos no Mato Grosso precisaram ser abandonados. A prioridade passou a ser avançar em direção ao Peru enquanto ainda fosse possível. Em diferentes momentos, a gasolina apareceu praticamente no último instante.
A expedição que havia sido planejada seguindo mapas, documentos e relatos históricos passou a depender também daquilo que nenhuma pesquisa poderia prever: conseguir atravessar a próxima cidade.
Do Seringal aos Andes

No Acre, uma mudança de rota trouxe um dos encontros mais humanos da expedição. A equipe foi convidada a conhecer o seringal de Raimundo Mendes de Barros, o Raimundão, primo de Chico Mendes.
Foram dois dias na floresta, conhecendo o seringal, Raimundão e sua família. A passagem também rendeu uma entrevista exclusiva, registrando histórias de quem conhece aquele território não pelos mapas, mas pela própria vida.
Já no Peru, outro desafio veio da altitude. Em Puno, às margens do Lago Titicaca, Beto acordou durante a madrugada passando muito mal. Maurício correu até a recepção do hotel pedindo uma ambulância.
A resposta foi inesperadamente tranquila: antes da ambulância, veio um forte chá de coca, tradicionalmente utilizado na região para lidar com os efeitos da altitude. Beto melhorou — e a história virou mais um daqueles episódios que dificilmente aparecem no planejamento de uma expedição.
Nos rastros de Fawcett

A viagem de retorno começou em Mollendo, porto do Pacífico utilizado por Fawcett em suas jornadas pela América do Sul. Dali, a equipe seguiu por Tiwanaku, atravessou os Andes e avançou em direção ao Acre.
A investigação continuou pelo Mato Grosso e terminou na Bahia, conectando lugares relacionados às diferentes fases das explorações de Fawcett e ampliando uma pesquisa que, até então, existia principalmente entre livros, documentos e mapas.
Na Bahia, a equipe iniciou também sua investigação de campo relacionada ao Manuscrito 512, documento do século XVIII que descreve as ruínas de uma suposta cidade antiga no interior brasileiro e que se tornaria uma das peças fundamentais das pesquisas do projeto.
Depois de 51 dias, três países e aproximadamente 18 mil quilômetros, Rio–Lima chegava ao fim. Mais do que alcançar um destino, a expedição havia transformado diferentes trajetos históricos em uma única jornada — seguindo, na estrada, pistas que durante décadas permaneceram espalhadas pelos livros.
