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Expedição Rio-Brasília | 2021

Antes de entrar no Xingu, começamos ouvindo o Xingu. 

Em Brasília, o Decifrando Fawcett acompanhou de perto um momento importante das mobilizações indígenas, realizou entrevistas e conheceu diferentes perspectivas sobre cultura, território e memória.

 

Uma etapa de pesquisa e escuta que ajudaria a preparar o caminho para a próxima jornada: Rio–Xingu.

 

CONHEÇA A EXPEDIÇÃO:

Cultura indígena, território e o debate sobre o marco temporal no centro das atenções do país.

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A pesquisa sai dos livros

Em 2021, o Decifrando Fawcett entrou em uma nova etapa. Maurício Acklas decidiu dedicar parte daquele ano a conhecer mais profundamente as culturas indígenas, especialmente as relacionadas à região do Xingu.

 

Havia uma razão para isso. Quanto mais avançava a pesquisa sobre Percy Fawcett, mais evidente ficava que compreender suas expedições exigia também conhecer os territórios por onde ele passou e as populações que já estavam ali muito antes dele. 

Brasília surgiu nesse caminho. Maurício queria encontrar pessoalmente Amairê Kayabi Suia, representante das Mulheres do Xingu, e conhecer outras lideranças e perspectivas que pudessem ampliar a pesquisa antes da próxima viagem.

 

Era uma preparação para o que viria depois: ainda naquele ano, o projeto colocaria o carro novamente na estrada para a Expedição Rio–Xingu.

Brasília em um momento decisivo

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A passagem pela capital coincidiu com uma das maiores mobilizações indígenas daquele período. Em agosto de 2021, milhares de indígenas de diferentes regiões do Brasil participaram do Acampamento Luta pela Vida, organizado em meio a debates importantes sobre direitos e territórios indígenas.

 

Um dos assuntos centrais era o marco temporal. Em termos simples, discutiase se o reconhecimento de determinadas terras indígenas deveria considerar a comprovação de ocupação em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

 

Naquele período, o tema estava no centro de um julgamento no Supremo Tribunal Federal. Para os movimentos indígenas presentes em Brasília, a tese poderia afetar processos de demarcação e, por isso, sua rejeição era uma das principais reivindicações da mobilização.

A equipe não estava ali para conduzir aquela discussão ou falar em nome de seus participantes. Estava ali para acompanhar, registrar e compreender o que estava acontecendo em um momento em que território, história e memória ocupavam o centro do debate nacional. 

O Xingu começa pela escuta

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Entre os encontros realizados em Brasília, a equipe entrevistou Macron Mehinaku, levando para diante das câmeras uma perspectiva de quem conhece o Xingu a partir de sua própria cultura e de seu território.

 

Para o Decifrando Fawcett, aquele registro tinha um significado especial. A pesquisa vinha sendo construída a partir de livros, mapas, documentos históricos e relatos deixados por exploradores. Em Brasília, outra fonte passou a ocupar espaço diante das câmeras: a palavra indígena.

 

A entrevista fazia parte de uma aproximação que seria fundamental para a etapa seguinte do projeto. Antes de percorrer o Xingu em busca dos caminhos relacionados às pesquisas sobre Fawcett, era preciso conhecer melhor as pessoas, as histórias e as culturas que fazem parte daquele território.

 

Naquela mesa, cercada por câmeras, gravadores e equipamentos, a próxima expedição já começava a ganhar forma. Meses depois, o Decifrando Fawcett seguiria para a Expedição Rio–Xingu.

Uma noite em Brasília

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Entre as imagens registradas naquela passagem, uma resume bem o momento vivido na capital: indígenas reunidos à noite, cercando com velas uma faixa diante do STF.

 

Não era uma cena criada para a câmera. Era parte de uma mobilização que acontecia enquanto o país aguardava decisões capazes de repercutir diretamente sobre os processos de demarcação de terras indígenas.

 

Para uma equipe que havia chegado a Brasília tentando compreender melhor os povos e territórios que encontraria nas próximas etapas da pesquisa, acompanhar aquele momento acrescentou uma dimensão contemporânea a uma investigação que frequentemente começava no passado.

 

Pouco depois, o Decifrando Fawcett deixaria Brasília para continuar sua jornada. O próximo caminho levaria ao Xingu. Mas a pesquisa já não chegaria lá da mesma maneira.

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